domingo, 15 de setembro de 2013

Despedida do Pe. Jorge Domingues Oliveira

Despedimo-nos hoje do Pe. Jorge Domingues Oliveira, nosso pároco nos últimos dois anos. Foram dois anos difíceis para quem não tinha experiência de paróquia, mas durante os quais nos soube cativar com a sua humildade e testemunho de fé.
Na hora da despedida, quisemos saber o que foi, para ele esta experiência e foi com a disponibilidade que lhe conhecemos que acedeu a responder a uma entrevista:


Há cerca de três anos o  Pe. Jorge Domingues Oliveira deixou temporariamente a congregação a que pertence, os Missionários Combonianos do Coração de Jesus, para fazer uma experiência de paroquialidade.

Foi nesse contexto que em Setembro de 2011 deu entrada na paróquia da Azoia.
 
Paróquia - Quais as expectativas que então trazia?
 
Pe. Jorge:- Falando muito sinceramente não trazia nenhuma perspectiva, pois não esperava nem pouco mais ou menos vir a ser Pároco assim de um momento para o outro. Mas uma vez que Dom António assim o entendeu, desejava que a minha intervenção na paróquia fosse uma ocasião de aproximar as pessoas de Deus, robustecer a confiança mutua do pequeno grupo de incansáveis trabalhadores da paróquia e crescer na capacidade de governo da Igreja aqui presente. Não consegui solidificar o “pequeno resto de Israel”, mas valeu a pena ter tentado e ter aprendido que nem tudo depende do pároco. Precisa-se ter consciência que trabalhamos na Igreja só “para maior glória de Deus” e não para dar nas vistas.

 Paróquia -Quais as maiores dificuldades com que se deparou, enquanto pároco?

 Pe. Jorge:-  A maior dificuldade que tive foi a afirmação de uma liderança pessoal forte. Também a inexperiência em lidar com as “birras das pessoas”, o “tem que ser como eu quero e mais nada” – ainda que não o digamos de boca cheia. Todos temos a tendência a fazer valer o nosso ponto de vista ao ponto de não levar em conta o dos outros. Só com a humildade de Jesus e a determinação de fazer, antes de tudo, a vontade de Deus Pai é que nós ultrapassaremos os egoísmos pessoais.
 
Paróquia -Agora à distância, olhando para trás, mudaria algo no modo como agiu ?
 
Pe. Jorge:-  Claro que mudaria, pois “não há ninguém que não erre” e quem está na roda tem que dançar. Por isso reconheço que, com demasiada complacência deixei-me ir, procurando agradar a todos,  e alguns abusaram deste “excesso de bondade”. Deveria não ter tido tanto receio de desagradar e afirmar, com maior enfâse, os meus pontos de vista. Não vou chorar sobre o leite derramado, mas como qualquer bom cristão, vou fazer um exame apurado daquilo que foi a minha acção como pastor desta porção de Igreja e tirar conclusões à luz da Palavra de Deus que me ajudem a “rectificar o tiro”.
 
Paróquia -Sabendo que a sua saída é lamentada por grande parte da comunidade da Azoia, o que gostaria de lhes dizer ao jeito de despedida?

Pe. Jorge:-  Não adores nunca ninguém mais do que a Deus”: nem o padre, nem o organista, nem a coordenadora da catequese, nem os amigos que concordam sempre contigo. Fico comovido, “orgulhoso” e contente pela manifestação de tanto afecto que só prova que procurei reencaminhar as pessoas para Deus e não para mim próprio, ainda que por isso tenha perdido pulso sobre aqueles que me dificultaram grandemente a missão. Todavia, isso não deve ser o trampolim para me idolatrarem. Nós Povo de Deus somos um povo ministerial, ou seja de servidores, e por isso tudo quanto fazemos deve remeter para Deus. Quanto feliz serei se cada paroquiano retirar da atitude de cada pároco que aqui passou aquilo que o faz aproximar mais de Deus. Não importa se foi Pedro ou Paulo que baptizou, mas sim que através de Pedro e Paulo foi Deus que agiu.

As maiores felicidades e graças de Deus para todos.

Com amizade e carinho

P. Jorge Domingues

Azoia, 14 de Setembro de 2013

Por tudo o que connosco viveu, pelo que por nós suportou, pelo "jogo de cintura" que tanta vez teve de fazer com vista à união na paróquia, pela simplicidade e humildade que sempre nos demostrou, por estes dois anos da sua vida que connosco partilhou, BEM HAJA, PADRE JORGE .
Seja feliz na escolha que fez.

 



2 comentários:

  1. Já há muito que ando para dar a minha opinião sobre a entrevista que acabei de ler. É a 2ª vez que faço e penso ter captado o essencial. Contudo, e antes de mais, os meus parabéns tanto ao entrevistado como à entrevistadora, que já sei quem foi. De qualquer das maneiras, o teor inicial do que tenho para dizer seria o mesmo.
    Esta entrevista deu-me que pensar e, sem querer perder-me em pormenores inúteis, queria dizer que este trabalho me traz à memória um livro fabuloso que li, cujo nome é “ O Deus das pequenas coisas.” É possível que conheçam a obra. É de uma escritora indiana de nome Arundathy Roy. Mais do que o conteúdo do livro é ao título que quero chegar. Associo ao P. Jorge Oliveira.
    O Deus das pequenas coisas é Alguém que se faz sentir através de uma linguagem simples. Tão simples e tão pura que se torna complicada para aqueles que navegam no mundo da superficialidade. O Deus das pequenas coisas não tem a dificuldade que eu tenho em encontrar as palavras certas, estou para aqui a remoer, a remoer, porque sente e ama a vida, tendo sempre presentes as três vertentes: fé, oração e humildade. Foi o que ouvi hoje na homília do P. André.
    É assim que considero o P. Jorge Oliveira. Um testemunho vivificante de fé, oração e humildade.
    Para mim, foi um privilégio tê-lo connosco.
    Bem-haja, Padre Jorge.
    Isabel Vieira

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