segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Festa do Sagrado Coração de Jesus

Decorreu ontem, dia 13 a tradicional Festa do Sagrado Coração de JesusTeve início com a benção da imagem de Santa Catarina oferecida pela (ainda) Junta de Freguesia , para substituir aquela que há vários anos foi furtade e que se encontrava sobre a porta principal da nossa igreja paroquial.
Nesta celebração contámos com a presença, sempre bem vinda, do Pe. Jorge Oliveira.
Sendo que 13 de Outubro é o dia em que celebram o seu aniversário o Pe. André e a senhora Emília Batista de Alcogulhe, no final da celebração cantámos-lhes os parabéns e foram-lhes oferecidos em nome da paróquia que ambos servem, um ramo de flores.






6 comentários:

  1. Participei, vivi e amei!

    Isabel Vieira

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  2. Não sei muito bem se isto vem a propósito. É que ando a escrever sobre as ruas da nossa freguesia. Nessas dissertações digo tudo o que sinto, do que me lembro, não deixando de recolher o testemunho das pessoas que entrevisto. Na passagem pela Rua de Santa Catarina, não podia deixar de falar de alguns episódios que decorreram na Igreja Paroquial. Por isso, aqui deixo um relato um pouco extenso e que se será ou não aceite. Faça-se o que se achar melhor.


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  3. 1ª PARTE

    Orações, terço, “trido” preparatório, festa em Honra de Santa Catarina
    Todos os anos, em Maio, desde que me lembro até aos meus 25 anos, participava no terço (Oração). A iluminação do candeeiro feito pelo Lelo, de quem já falei, parecia que não dava muita luz. A Igreja paroquial é relativamente grande e eu achava que estava sempre escuro, mesmo que à luz do candeeiro grande se juntassem as velas acesas dos altares. Respirava-se um ambiente místico e, ao mesmo tempo, impregnado de resignação e sacrifício. Não sei se posso considerar “esta embrulhada” de fé. Parece-me mais um “ tem que ser” do que outra coisa qualquer. A preocupação pela salvação da alma e o medo do inferno eram-nos inculcados a toda a hora: tios, avós, pais, padre e comunidade em geral, não conheciam outro” breviário” que não este. Era assim desde que o mundo tinha sido criado e assim havia de continuar.
    Depois da reza do terço, com toda a devoção que nos fosse possível, seguia-se a procissão, com as ofertas e o pendão, à volta da Igreja. Seguiam sempre duas filas, a cantar versos de Fátima, de onde sobressaía o 13 de Maio. Nesta volta pela Igreja, havia uma altura em que passávamos pelo cemitério velho. Eu, quase sempre, me distraia a olhar para as campas, em estado miserável, e para o jazigo lá, ao fundo, que penso ter sido propriedade da D. Filomena Castelo. Ainda me lembro de lá ir espreitar, fora da Oração. E remoía a minha imaginação ao ver aquelas duas ou três urnas tão negras como as paredes do jazigo.
    Terminada a Oração e a procissão, seguia-se a venda das ofertas, com o Chico Lirau ou o João Broa, em cima do muro, a apregoar Quem dá mais? Dá-lhe um, dá-lhe duas, dá-lhe três e já está! Vai para o Macrino dos Santos.
    No que respeita ao “trido” preparatório, era exigência máxima para qualquer festa. Até ao final da minha adolescência, havia duas festas por ano: a festa em honra de S. Catarina, a maior, e a festa em honra do Sagrado Coração de Jesus, normalmente realizada em Setembro, por ocasião das vindimas. Já não tenho bem presente se o “trido” preparatório também se fazia na festa do Sagrado Coração de Jesus. Do que eu tenho a certeza é que, na festa em honra da padroeira, Santa Catarina, o “trido” era ponto assente. Vinha sempre um padre de fora que subia para o púlpito. Gordo, bochechas vermelhas, ar compenetrado, medonho, paramentado e severo. Toda a gente o ouvia, sentados onde calhasse. Não havia bancos e só as cadeiras almofadadas dos Ferreiras, do Manuel Batista e de outros senhores e senhoras de bem é que faziam a diferença. Por pirraça, quando visitava a Igreja, nos dias de semana, (estava sempre aberta) levantava o tampo da cadeira do Manuel Batista, ajoelhava-me na almofada incorporada, só para ver como era.
    ( CONTINUA)

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  4. 2ª PARTE


    Do púlpito, choviam os testemunhos de fé sobre a padroeira e, juntamente com esses testemunhos, choviam também os apelos ao arrependimento e ao perdão dos pecados, através do sagrado sacramento da confissão. O rosto do pregador ganhava tonalidades diferentes, consoante a gravidade do mistério por ele anunciado. Aquele ar congestionado e perlado de suor hipnotizava-nos! Quando o sermão terminava e o pregador se recolhia, a respiração dos ouvintes ainda não se ouvia. Não sei como é que os nossos pulmões não rebentavam.
    Finalmente era dia de festa! Era uma alegria, a começar pelo adro. Tão bem que ele cheirava! Juntamente com as bandeiras, havia ramos de murta entrelaçados e o coreto estava bem iluminado. Era lá que a banda iria actuar. A quermesse, que tanto me fascinava, fica do lado do muro do Sr. João. Quando ia tirar alguma rifa, o meu coração batia tão forte que não sei como me não saia do peito. Isto, na minha infância. Porque, depois, os meus interesses passaram a ser outros. Havia sempre muitos forasteiros que vinham de fora e que olhavam para as meninas já espigadotas.
    A missa solene, em latim, nos primeiros anos da minha infância, e já em português na minha adolescência, era totalmente acompanhada pela banda que enchia a igreja toda até ao tecto. Eu vibrava! O sermão desse dia era mais suave, mas o pregador continuava com o rosto vermelho e perlado de suor.
    A procissão tinha o aspecto actual. Todo o percurso por onde passava estava enfeitado com bandeiras e mais murta. A banda fazia-se ouvir até nas nossas casas. Nas janelas havia colchas e as pessoas finas, as que achavam indigna e popularesca a sua presença nas procissões, era de lá que espiavam tudo o que se passava.
    Mas, havia o meu vestidinho novo, todos os anos, para estrear no dia da festa, feito pela Menina Anette! O que eu ansiava por essa época!

    Agosto 2012

    Isabel Vieira

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    Respostas
    1. Em criança as coisas têm outro "sabor". E quando nós eramos crianças, com o pouco que tinhamos, isso notava-se mais ainda. A igreja (e/ou a Igreja) era responsável por quase toda a nossa "agenda social". Mas com que intensidade estas coisas eram vividas!

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  5. É verdade! As coisas mudam. Tenta-se sempre fazer o melhor que se pode. Só que eu gosto de reviver. Lembro-me de um dia querer, por força, ver N. Senhora no meu quintal. Olhava, com tanta fé, para o céu e nada. É aquela inocência!
    Quanto à agenda paroquial, acho que não havia nada de especial. Era a missa aos domingos, terço em Maio, catequese, festas paroquiais, visitas pascais, dia dos fiéis defunto e pouco mais. Ah, uma coisa importante: o toque das ave-marias, três vezes ao dia. No fim da tarde, já quase noite, marcavam a hora de acabar a brincadeira. E eu chegava a casa afogueada. No entanto, lembro-me que parávamos para rezar. Era bonito! Já falei disso tudo nas minhas dissertações.
    Agora há mais envolvência com a comunidade. Só é pena que isso não corresponda, a maior parte das vezes, a um crescimento interior, na fé.
    Eu própria ando às "apalpadelas". Acho que estou no caminho. O tempo o dirá.
    De qualquer das maneiras, quero testemunhar aqui que dou conta do "entulho" que nos faz soçobrar. Notei isso quando tinha dificuldade em cantar. Pouco a pouco, vou-me esvaziando desse entulho e ganhando confiança, perdendo o medo, abrindo a alma...

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